Flammulina velutipes (Curtis)

Nuno Figuueiredo

Flammulina velutipes 

Sabias que o epíteto Flammulina  deriva do diminutivo do latim flámma =  chama, que significa pequena chama. O epíteto velutipes  deriva do latim vélum  = véu, transposto para o francês velü  = peludo, aveludado, e do latim pés  = pé, devido ao radical aveludado.


 

Nuno Figueiredo

A Flammulina velutipes é um cogumelo visualmente muito atrativo, que combina uma variação de cores muito interessantes. Trata-se de uma espécie saprófita e que pode crescer em vários tipos de árvores ou tocos, curiosamente só a vejo em troncos ou tocos de giesta ( Cythisus sp.).


Descrição macroscópica

Chapéu com 1-5 cm de diâmetro, inicialmente convexo, depois achatado com o centro ligeiramente deprimido quando mais velho, de cor amarelo-alaranjada quando jovem, tornando-se castanho-ferrugem em direção ao centro, com descolorações para creme-amarelado na margem, que é ligeiramente estriada, às vezes lobada, higrófana; a superfície é lisa e viscosa em tempo húmido.

Lâminas  adnatas a adnato-marginadas, espaçadas e espessas, de cor creme-amarelada, com reflexos salmão quando vistas de frente, com borda lamelar intacta e concolor; intercaladas com várias ordens de lamélulas.


O pé cilíndrico, fibroso, fistuloso, enraizado, afilando-se em direção ao ápice e engrossando em direção à base. É esbranquiçado, amarelo-pálido na ponta, descendo em direção à base formando uma curta faixa laranja, e é circundado por uma base aveludada preta. Frequentemente termina na base do caule com uma radícula de comprimento variável, dependendo se o substrato está muito em decomposição e/ou se está parasitando as raízes subterrâneas da planta hospedeira.

Carne fina, de cor bege clara, com um leve odor de cogumelo e um sabor adocicado.

Trata-se de uma espécie comestível embora os pés sejam duros e devam ser descartados, os chapéus dos cogumelos Flammulina velutipes selvagens são muito apreciados e podem ser usados ​​para fazer sopa de cogumelos, além de serem ótimos em risotos.

Descrição microscópica

Impressão de esporos branca






Esporos  7,4–9,6 × 3,1–3,9 µm; M= 8,6–3,5 µm; Q = 2,2–2,8; Qm = 2,5; cilíndricos, lisos, hialinos.


Basídios  tetraspóricos, clavados.
Queilocistídios  83,5–123,9 × 18,8–24,2 µm; lageniformes, estrangulados, subfusiformes.
Pleurocistídios  subfusiformes, utriformes.
Pileipélis  formada por ixohifídios e pileocistídios. Hifas terminais dos ixohifídios principalmente de dois tipos: a) ramificadas com um caule central e ramificações laterais, geralmente com no máximo 2 ramificações; b) não ramificadas, de parede fina; todas geralmente com ápices afilados ou atenuados, com 1–2 µm de largura nas pontas.
Pileocistídios  68-105 × 7,5-12 μm; estreitamente lageniformes, frequentemente pedunculados, estreitos e sinuosos na base.


                                                               Basídios                                   Pleurocistídio                    Queilocistídios


                                                                  Pileipellis                                     Pileocistídio

A flammulina velutipes é conhecida no Japão por Enokitake e é uma espécie que pode ser cultivada para fins comerciais. Em Portugal também é possível encontrar esta espécie de cultivo à venda, no entanto ela apresenta diferenças visuais em relação à espécie selvagem.
Estes cogumelos quando produzidos em ambiente controlado, não estão expostos à luz e crescem num ambiente com alta taxa de CO2 para desenvolverem os pés mais longos e finos, enquanto que os cogumelos selvagens desenvolvem um caule mais curto e grosso.



Por Chris 73 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=19676




Reportagem fotográfica


















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